domingo, 26 de maio de 2013

Viagem de ônibus chega a 2h em São Bernardo
       FONTE        
Diário do Grande ABC
 
 
Tiago Silva/DGABC
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Longos percursos fazem com que os usuários do transporte público de São Bernardo tenham de passar grande parte do dia dentro dos ônibus municipais. As linhas, operadas pela SBCTrans, têm extensão média superior a 20 quilômetros e o tempo de viagem gira em torno de uma hora e meia, em condições normais de trânsito. Nos horários de pico, os trajetos são feitos em até duas horas. Segundo a Prefeitura, os coletivos atendem a 248.746 pessoas nos dias úteis.
Um dos fatores que mais contribui para a demora nas viagens é a concentração das linhas na região central. Dessa forma, são poucos os itinerários que ligam bairros da cidade sem que haja passagem por vias do Centro. Dos 64 trajetos municipais, 48 (75%) passam pela Avenida Brigadeiro Faria Lima. A Senador Vergueiro é utilizada por 36 linhas (56,2%). Com a diminuição das distâncias e mais opções de integração, é possível diminuir o tempo de viagem e o intervalo entre os veículos, otimizando o serviço. Outro problema é a sobreposição dos traçados intermunicipais, que acabam concorrendo com o sistema local.
Devido às longas extensões, são poucos os usuários que fazem integração temporal gratuita nas ruas por meio do Cartão Legal. O tíquete eletrônico permite baldeação sem custo adicional por uma hora e meia em dias úteis e de duas horas aos sábados, domingos e feriados.
Na quinta-feira, a equipe do Diário embarcou às 16h48 em veículo da linha 29 (Balsa/Rudge Ramos), no ponto inicial localizado no bairro Riacho Grande. O desembarque na outra extremidade, na Avenida Doutor Rudge Ramos, ocorreu às 18h20. A viagem foi feita em uma hora e 32 minutos. No trajeto 38 (Taboão/Terra Nova), o tempo de permanência foi de quase uma hora e dez minutos.
A linha 16 (Alvarenga/Rudge Ramos), que tem 24 quilômetros de extensão, também foi feita em uma hora e dez minutos, fora do horário de pico. Grande parte dos usuários desembarcou na Avenida Kennedy. De lá até o Rudge Ramos, o coletivo, de tamanho convencional, foi quase vazio.
A Prefeitura de São Bernardo reconhece os problemas e afirma que “o transporte coletivo municipal ainda não possui prioridade de circulação no viário”. Por isso, as condições do trânsito têm forte impacto no tempo de viagem.
A ETC (Empresa de Transporte Coletivo) informa que haverá alteração nos percursos depois da “implantação de corredores de transporte coletivo e um novo desenho de rede”. A cidade fará, com verba do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), 11 vias exclusivas para ônibus, com investimento de R$ 250 milhões. Também estão previstos quatro terminais. Com isso, diz a empresa, haverá “prioridade da circulação do transporte coletivo no viário municipal e um local adequado que possibilite a integração física e temporal entre as linhas”. Assim, itinerários curtos terão intersecção com outros de maior extensão.
Em relação à concentração do sistema no Centro, o órgão gestor diz que as avenidas Jurubatuba, Brigadeiro Faria Lima e Senador Vergueiro são os pontos de “maior interesse das pessoas oriundas de outras regiões da cidade, independente do modo de transporte”. Por esse motivo, a maioria das linhas passa por essas vias. A ETC estima que os novos terminais aumentarão a demanda por integrações por meio do sistema tronco-alimentado, que consiste em pequenas viagens do bairro ao corredor, onde o passageiro pega outra condução.
Usuários cobram criação de linhas expressas entre bairros da cidade
Na opinião dos passageiros do sistema municipal de transporte de São Bernardo, a criação de linhas expressas entre bairros iria facilitar o deslocamento pela cidade. Com isso, os coletivos não teriam de passar pelo Centro, por onde circulam 75% dos itinerários. Já a Via Anchieta faz parte de 48% dos trajetos.
“Perdemos muito tempo no ônibus, que sempre demora e vem lotado. Existem campanhas que dizem para a população deixar o carro em casa e usar o transporte público. Mas com essa qualidade, não tem como”, comenta o padeiro José Santana, 56 anos.
O vigilante José Carlos Gomes, 43, que utiliza a linha 14 (Orquídeas/Rudge Ramos), sugere a criação de trajeto até a região do Alvarenga pela Via Anchieta. “Seria melhor se não passasse pelo Centro. Em dias com muito congestionamento, chego a demorar duas horas.”
A ETC (Empresa de Transporte Coletivo) afirma que a Via Anchieta, principalmente nos horários de pico, não seria boa opção para o transporte, devido à lentidão registrada.
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FROTA
Na quarta-feira, a equipe do Diário flagrou dois coletivos quebrados na Avenida Caminho do Mar. Em um deles, da linha 30 (Balsa/Rudge Ramos), o motorista solicitou o desembarque dos passageiros devido a problema na catraca. Outro veículo, com o painel eletrônico apagado, estava parado poucos metros a frente.
O diretor de Operações da concessionária SBCTrans, Nelson Ribeiro, informa que a empresa tem programa anual de renovação de frota, com a substituição de 15% dos veículos antigos por carros zero-quilômetro. No mês que vem, entrarão em circulação 50 ônibus de tamanho convencional, com acessibilidade para cadeirantes. Parte desses coletivos, inclusive, será colocada na citada linha 30.
Segundo Ribeiro, a frota da empresa é composta por 300 veículos, com idade inferior a quatro anos e tempo médio de uso de 2,1 anos. O diretor informa ainda que a má qualidade do solo pode prejudicar o atendimento. “Os equipamentos podem ser danificados em pisos irregulares ou em vias não pavimentadas, o que pode gerar quebra”, justifica. A empresa diz que, neste mês, está reprogramando horários para promover melhorias na operação.

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